Page 10 - Abrasca Anuário Estatístico 2018
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    Conversa com o leitor Conversation with the reader
      Brasil, um país que precisa de reformas estruturantes
O Centro de Estudos de Mercado de Capitais da Fipe (Cemec) fez, com exclusividade para esta edição do Anuário, um estudo mostrando que o mercado de capitais brasileiro tem potencial para dobrar o número de companhias abertas listadas na B3 nos próximos 10 anos. O trabalho, assinado por Carlos Rocca e Lauro Modesto, destaca que a simulação foi realizada considerando a expectativa de continuidade do ajuste fiscal e outras reformas favoráveis ao ambiente de negócios no novo mandato presidencial.
Os números apresentados evidenciam as condições para o mercado de capitais cumprir efetivamente sua verdadeira função: capitalizar as companhias em seus projetos de modernização e crescimento. Agora é torcer para que o novo governo faça reformas estruturantes para que isso ocorra.
DESEMPENHO DAS COMPANHIAS ABERTAS
A alta de 1% do PIB em 2017, sinalizando o fim da recessão dos últimos anos, foi o suficiente para melhorar o desempenho do setor produtivo. O lucro líquido consolidado das 361 companhias abertas analisadas nesta edição atingiu R$ 164,8 bilhões, com alta de 38,5% em relação ao recessivo ano de 2016. Grande parte deste crescimento se explica pela redução do prejuízo de um grande número de empresas no final do exercício retrasado.
Ainda assim, os empresários continuam cautelosos. Sondagem realizada pela equipe do Anuário junto a 134 companhias abertas mostra que o volume de investimentos caiu 20% em 2017 ao totalizar R$ 393,8 bilhões. Dos 21 setores avaliados 14 reduziram os investimentos. Os recuos mais expressivos ocorreram em Papel e Celulose (-34,13%), Siderurgia e Metalurgia (-30,61) e Mineração (-29,51%). Por outro lado, dos sete setores que investiram mais, os destaques foram para Açúcar e Álcool (38,34%) e Tecido, Vestuário e Calçados (27,19%).
Outra Sondagem mostra que, no final do ano passado, 3 milhões de pessoas trabalhavam nas 271 companhias pesquisadas, o que representou uma queda de 4%. No entanto, o resultado foi inferior ao recuo de 5,6% na comparação 2016/15. Dos 22 setores de atividades que operam essas companhias, 12 reduziram o número de funcionários contra 15 em 2016.
Os dados reunidos pelo Anuário revelam também que as 361 companhias abertas analisadas recolheram, em 2017, R$ 1,26 trilhão em impostos, valor 17,8% superior ao de 2016, participando com 15,3% da arrecadação fiscal do país. Na formação do PIB nacional, a participação dessas companhias subiu de 16,5%, em 2016, para quase 18% no final do ano passado evidenciando maior dinamismo e resiliência das companhias abertas à crise. Boa leitura!
Cleber Cabral Reis, Diretor de Redação Cleber Cabral Reis, Editor in chief clebercabral@ciasbrasil.com.br clebercabral@ciasbrasil.com.br
 Brazil, a country in need of structural reforms
The Fipe Capital Markets Study Center (Cemec) carried out, exclusively for this issue of the Yearbook, a study showing that the Brazilian capital market has the potential to double the number of publicly-held companies listed in B3 over the next 10 years. The work, signed by Carlos Rocca and Lauro Modesto, highlights that the simulation was carried out considering the expectation of continuity of fiscal adjustment and other reforms favorable to the business environment in the new presidential term.
The figures presented highlight the conditions for the capital market to effectively fulfill its true function: to capitalize companies on their projects of modernization and growth. Now we only have to hope that the new government will make structural reforms to make it happen.
PERFORMANCE OF PUBLICLY-HELD CORPORATIONS
The 1% of GDP increase in 2017, signaling the end of the recession in recent years, was enough to improve the performance of the productive sector. The consolidated net income of the 361 publicly-held companies analyzed in this edition reached R$ 164.8 billion, a 38.5% increase compared to the recessive year of 2016 the recessive year of 2016. A large part of this growth is explained by the reduction in the loss of a large number of companies at the end of the year before.
Still, entrepreneurs remain cautious. Survey conducted by the Yearbook team with 134 publicly- held companies shows that the volume of investments dropped by 20% in 2017, totaling R$ 393.8 billion. Of the 21 sectors surveyed 14 reduced investments. The most significant backlash occurred in Pulp and Paper (-34.13%), Steel and Metallurgy (-30.61) and Mining (-29.51%). On the other hand, of the seven industries that invested more, the most prominent were Sugar and Alcohol (38.34%) and Fabric, Clothing and Footwear (27.19%).
Another survey shows that at the end of last year, 3 million people worked in the 271 companies surveyed, representing a 4% drop. However, the result was lower than the 5.6% drop in the comparison between 2016 and 2015. Of the 22 activity industries that these companies operate, 12 have reduced the number of employees, in contrast with the 15 in 2016.
The data gathered by the Yearbook also reveal that the 361 publicly-held companies analyzed in 2017 collected R$ 1.26 trillion in taxes, 17.8% more than in 2016, accounting for 15.3% of the country’s tax collection. In the formation of the national GDP, the stake of these companies grew from 16.5% in 2016 to almost 18% at the end of last year, evidencing a greater dynamism and resilience of the publicly-held companiestothecrisis. Enjoythereading!
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