Page 33 - Abrasca Anuário Estatístico 2018
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    Matéria de capa Cover story
      1. INTRODUÇÃO
Levando em conta o novo posicionamento do BNDES e as expectativas de continuidade de queda da taxa de juros promovida pelo Banco Central – trabalho do CEMEC divulgado em meados de 2017 no Anuário Estatístico das Companhias Abertas, editado pela ABRASCA1 – chamou a atenção de que estava sendo criado um cenário favorável para o crescimento do mercado de capitais. O desempenho do mercado ao longo de 2017 e nos primeiros meses de 2018 confirma aquelas expectativas.
Este trabalho tem cinco partes. Na segunda parte, logo após esta introdução, o objetivo é mostrar de modo mais detalhado as evidências de que as taxas reais de juros elevadas tem sido o principal fator de inibição do desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro. São apresentadas também indicações de que esse efeito da taxa de juros teria sido reforçado a partir de 2010 com a forte ampliação
da oferta de crédito subsidiado do BNDES, dirigido principalmente para empresas de grande porte em condições de acessar o mercado de dívidas corporativa.
Na terceira parte são analisados os principais indicadores de desempenho do mercado de capitais em 2017 e início de 2018, em resposta ao novo cenário. Mostra-se que a intensidade do crescimento do número e do volume de emissões de ações e de dívida nesse período levou o valor total de recursos captados ao maior nível desde 2005.
A quarta parte deste trabalho traz um exercício de simulação do tamanho do mercado de capitais nos próximos dez anos, na hipótese um tanto otimista de manutenção de um ambiente favorável que combina taxas de juros e inflação baixas, sustentadas pela execução de um processo de ajuste fiscal. Nesse contexto, não são previstos choques relevantes provenientes do cenário internacional,
caracterizado nos próximos anos pelo retorno à “normalidade” das políticas monetárias dos principais países, com elevação lenta e gradual das taxas de juros internacionais.
A quinta parte traz um exercício de simulação do número de novas empresas listadas na B3 nos próximos dez anos nesse mesmo cenário um tanto otimista.
A sexta parte e última resume as conclusões da perspectiva do mercado de capitais na simulação para os próximos dez anos e formula algumas hipóteses sobre os principais riscos e ameaças a esse cenário.
2. FATORES QUE TEM INIBIDO O MERCADO DE CAPITAIS BRASILEIRO
Não obstante a qualidade de sua regulação e da infraestrutura de seus mercados de ativos financeiros e derivativos, o mercado de capitais brasileiro tem apresentado sinais de estagnação ou no máximo crescimento
POTENTIAL GROWTH OF BRAZIL’S CAPITALS MARKET
 1. INTRODUCTION
Taking into account the new positioning
of the BNDES and the expectations of continued fall in interest rates promoted by the Central Bank – work by CEMEC disclosed in mid-2017 in the Statistical Yearbook of Listed Companies, edited by ABRASCA1 – attention was drawn to the fact that a favorable scenario for the growth of the capital market was being created. The market’s performance in 2017 and the first few months of 2018 confirms these expectations.
Thisworkisdividedintofiveparts. Inthe second part, shortly after this introduction, the aim is to provide a more detailed breakdown
 The Brazilian capital market has the potential to double the number of publicly-held companies listed in B3 in the next 10 years, with an increase of 317 new companies. This is what a simulation carried out by the Fipe Capital Markets Study Center (Cemec) shows, based on the evolution of the main market indicators in 2017, which empathize a strong positive response to the drop of interest rates and a reduction in the supply of subsidized credit of BNDES. Carlos Rocca and Lauro Modesto, who signed the work, emphasize, however, that the expectation of continuity of the fiscal adjustment and other reforms favorable to the business environment in the new presidential term were considered in the preparation of the simulation.
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