Page 34 - Abrasca Anuário Estatístico 2018
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    Matéria de capa Cover story
      modesto nos últimos anos. Ao mesmo tempo em que seus instrumentos e veículos2 respondem por 70% da mobilização da poupança financeira, sua participação no financiamento das empresas e dos investimentos é modesta e praticamente parou de crescer depois do ciclo favorável que prevaleceu até a crise de 2008.
Como tem sido enfatizado em vários trabalhos do CEMEC3, o mercado de capitais tem sido especialmente afetado pelo cenário macroeconômico desfavorável4. No mercado de ações, além da redução do número e do volume de emissões primárias até 2016, tem sido mantida a característica de que apenas uma pequena proporção de empresas grandes capta recursos nesse mercado, mediante a realização de grandes emissões, intermediadas por grandes bancos, absorvidas principalmente por grandes investidores, com grande participação de investidores estrangeiros. Verifica-se que menos de 5% das empresas grandes são companhias de capital aberto, enquanto que apenas 8% delas fizeram emissões de ações ou de títulos de dívida no período de cinco anos
anteriores a 2015. Apesar das medidas de incentivo adotadas nos últimos anos para estimular a abertura de capital de empresas de menor porte, apenas uma dezena de empresas está no mercado de acesso e o número de empresas listadas tem caído nos últimos anos. A base de investidores pessoas físicas, que é um fator relevante para sustentar um mercado de acesso dinâmico, é de apenas 0,3% da população5, número que compara com a média de 5% dos emergentes, 7% na Índia, 13% nos EUA, 5% na China.
A permanência de elevadas taxas reais de juros por períodos longos é o principal fator de inibição do desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro. Nesse contexto, para competir junto aos investidores com títulos públicos com risco de crédito soberano, elevada liquidez e alternativas de indexação isentas de risco de mercado, as ações, investimento de risco de mercado elevado, deveriam oferecer prêmio de risco excepcionalmente elevado. Nessas condições, o custo de capital próprio das empresas atinge nível muito superior à taxa de retorno que a maioria das empresas tem condições
de oferecer, ao mesmo tempo em que os títulos públicos atraem as preferências dos investidores. Não é surpreendente, portanto que desde a adoção do Plano Real em 1994, salvo em determinados períodos curtos, a rentabilidade acumulada das ações tem sido muito inferior à oferecida pelos títulos públicos.
O Gráfico 01 mostra que o número de emissões primárias, incluindo “IPOs” e operações de “follow on” apresenta correlação negativa significativa, (quase 0,90) com o custo de capital próprio6, este influenciado diretamente pela taxa real de juros dos títulos públicos.
O período de 2006 e 2007, quando ocorreu o ciclo mais im- portante de emissões primárias dos últimos anos, coincide com o custo de capital próprio no menor nível de todo o período considerado no Gráfico 01. Verifica-se também que em 2006 e 2007, cerca de 40% dos desinvestimentos feitos pelo Fundos de Investimentos em Participações (FIPs) adotaram a abertura de capital (IPO) como estratégia de desinvestimento, com impacto positivo sobre o número de empresas de capital aberto. No
 of the evidence that high real interest rates have been the major factor for inhibiting the development of Brazil’s capitals market. Indications are also shown that this interest rate effect was strengthened from 2010 onwards with the strong expansion in the supply of subsidized credit from BNDES, directed mainly towards large companies that are able to access the corporate debt market.
The third part reviews the key performance indicators of the capitals market in 2017 and early 2018, in response to the new scenario. It is shown that the intensity of the growth in the number and volume of issuance of shares and debt in this period took the total funding amount to its highest level since 2005.
The fourth part of this work comprises a simulation exercise of the size of the capitals market over the next ten years, in the somewhat optimistic hypothesis of maintaining a favorable environment that combines low interest rates and inflation, sustained by the execution of a process of fiscal adjustment. In this context, no relevant shocks are foreseen on the international scene, characterized in the coming years by a return to “normalcy” of monetary policies of major countries, with a slow and gradual rise in international interest rates.
The fifth part comprises a simulation exercise in the number of new companies listed on B3 in the next ten years in this same rather optimistic scenario.
The sixth and final part summarizes the findings from the perspective of the capitals market in the simulation for the next ten years and sets out some hypotheses on the main risks and threats to this scenario.
2. FACTORS THAT HAVE INHIBITED THE BRAZILIAN CAPITALS MARKET
Notwithstanding the quality of its regulations and the infrastructure of its financial assets and derivatives markets, the capitals market has shown signs of stagnation or at best modest growth in recent years. While its instruments and vehicles2 account for 70% of the mobilization of financial savings, its participation in financing for businesses and
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