Page 42 - Abrasca Anuário Estatístico 2018
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    Matéria de capa Cover story
      de capitais no exigível financeiro total das empresas varia de 27% na Espanha até 69% no EUA10. A simulação para o Brasil fica em 2027 com um porcentual de 32% o que coincide praticamente com o número da Itália de 33%11 (média do período de 2000 a 2010).
5. SIMULAÇÃO DO NÚMERO DE IPOS NA B3 NOS PRÓXIMOS 10 ANOS
A projeção anterior foi feita com base nos estoques de fontes de financiamento do exigível financeiro doméstico das empresas, a esses montantes deveria ser acrescentado, ainda, os volumes de emissões primárias, IPOs e follow-on, feitas no mercado acionário que são aumento de capital próprio e não dívida. Preferimos ao invés de projetar volumes tentar estimar o número de novas empresas listadas na B3, ou seja, o número estimado de IPOs que poderiam acontecer nesse cenário de juros baixos, crescimento do PIB e inflação baixa e estável.
Trabalhos anteriores do CEMEC mostram que há elevada correlação entre o número de IPO e follow-
on e o custo de capital próprio. O Gráfico 09 mostra que o número de emissões primárias, incluindo apenas “IPOs”, apresenta correlação negativa significativa (-0,84) com o custo de capital próprio12, este influenciado diretamente pela taxa real de juros dos títulos públicos.
Verifica-se também que em 2006 e 2007, cerca de 40% dos desinvestimentos feitos pelo Fundos de Investimentos em Participações (FIPs) adotaram a abertura de
Gráfico 9 / Graph 9
Custo de capital próprio real e número de IPOs
Real cost of own equity and number of IPOs
capital (IPO) como estratégia de desinvestimento, com impacto positivo sobre o número de empresas de capital aberto. No período posterior, em que o custo de capital próprio se mantem em nível elevado, o número de empresas abertas cai 14%, com redução continuada de 404 empresas em 2007, para apenas 349 em 2016. Verificou-se13 também que o número de deslistagens voluntárias está positivamente correlacionado com o custo do capital próprio.
   15,0% 14,0% 13,0% 12,0% 11,0% 10,0%
9,0% 8,0%
70 60 50 40 30 20 10 0
              Correlação = -0,839
Correlation = -0,839
                                  Fonte: CEMEC e B3
Source: CEMEC and B3
2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 Custo de Capital Próprio CEMEC / Cost of Equity CEMEC IPOs
   IN THE SIMULATION FOR THE FORTHCOMING DECADE
The work shows that the evolution of the main activity indicators of the capitals market in 2017 shows a strong positive response to the fall in interest rates and the reduction in the supply of subsidized credit from BNDES. This year, the strong growth of primary issuances (IPO and follow-on) and in corporate debt has caused the volume of funds raised on the capitals market to reach R$173 billion, the highest value observed since 2005, the start of the period under examination.
The simulation made for the next 10 years shows an even greater growth potential with growth of 136% in volume of the capitals market
in the financial liabilities of companies and that in that same period the number of companies listed on Bovespa could almost double.
The recent performance of the domestic markets is reflecting the expectation of continued fiscal adjustment and other reforms favorable to the business environment in the new presidential term. At the international level, the expectation of a benign scenario has also prevailed, characterized by synchronized and relatively high growth of the largest economies and emerging economies, accompanied by a return to “normalcy” of monetary policies of the main countries, with a gradual rise in interest rates.
However, it is essential to recognize that there are risks. On the domestic panorama, the
main one is the difficulty in the approval by and the support from the future government for measures that are essential for fiscal adjustment in order to sustain the projected stabilization and subsequent reduction in the debt ratio in relation to GDP. In the absence of such measures and/or the conditions to support the expectations for the implementation thereof, it will be impracticable to maintain low interest rates and the recovery of growth. At the international level, in addition to geopolitical issues, there are concerns with the excessive valuation of assets around the world, driven by high liquidity maintenance for many years, and may constitute a “bubble” which, if bursts, could trigger a new global financial crisis.
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